Tô, não tô

Tudo isso, moço?*

8, Julho 2009 · 1 Comentário

Não, vocês não sabem o que dois anos e meio de Tocantins são capazes de fazer com a cabeça de uma pessoa.

Vocês não sabem.

Por exemplo, até o início do ano se eu tivesse com fome, eu ia ao supermercado Bom Preço e pedia um pão de queijo e um toddynho. Era simples, de todas as opções já testadas, essa combinação era a única que não me decepcionava.

Agora, em São Paulo, eu estou com fome, vou ao Pão de Açucar e simplesmente saio de lá com fome, porque tem tanta opção que eu não consigo escolher nenhuma. Ainda não sei o que é legal, o que é gostoso, o que vai me fazer mal (pq eu não posso ingerir lactose, mas lá no TOCA eu estava no modo TOCA e essas frescuras urbanas não me atingiam). Hoje comprei o pão do cachorro quente e esperei chegar em casa pra matar a fome, porque não consegui decidir entre nenhum dos petiscos para comer no caminho pra cá.

Era mais fácil conviver com menas opção. Beeeem mais fácil.

Quer dizer, não é que tem uma escola de espanhol perto da minha casa. TEM TRÊS. Aí eu tenho que ir nas três escolas, fazer o orçamento, teste de nivelamento, conhecer as instalações, pra ver qual das três me agrada mais.

Não era mais fácil ter só uma e aí eu fico satisfeita com o preço, o nivel e as instalações e fim?

Eu não sou uma pessoa exigente. Não me deem opções.

Acho até que esse post poderia inclusive render um belo ensaio sobre o processo de desenvolvimento cognitivo e intelectual de uma pessoa que cresce no interior pacato e restrito do TOCA versus uma criatura que cresce no meio da borbulhante e diversificada São Paulo.  Eu poderia. Mas não vou.

*Tradução livre para o paulistanês: Orra meu, tudo isso?

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É…

7, Julho 2009 · Deixe um comentário

…da cidade que não tinha nada pra cidade que tem de tudo!

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Primeiro passo: encontrar um lar em São Paulo

29, Junho 2009 · Deixe um comentário

Daí que eu escrevi um texto enorme sobre a árdua tarefa de encontrar um apartamento para morar em São Paulo e puff… faltou luz!

Era algo sobre como é difícil e caro morar perto do trabalho e num lugar que ofereça as melhores conveniências. Então eu concluía dizendo que pelo menos já tenho as duas coisas mais difíceis sobre irmorar em São Paulo: um emprego e uma pessoa em legal com quem dividir o apê!

Aí eu ia contar que eu achei uma ferramenta bem legal pra procurar apartamentos enquanto eu não posso estar lá batendo perna: o ZAP

Um site que dá pra encontrar os apartamentos em oferta, e localiza-los no mapa! E navegando pelo mapa, vão aparecendo as outras opções nos arredores. Achei didático:

Zap

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The gentle art of hearing

23, Junho 2009 · 1 Comentário

A delicada arte de ouvir [na minha tradução]
Um lindo filme feito entre Nova ork e Sidney:

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Uma reserva de tranquilidade

22, Junho 2009 · Deixe um comentário

Pois é, vou pra São Paulo. A Syl, amiga de prézinho-parceira de TCC-colega de primeiro emprego, agora me indicou pruma vaga super legal na agência onde ela trabalha.

Vou com um friozinho, ou melhor, um freezer se manifestando na barriga, tanto pelo desafio de fazer uma coisa nova quanto pelas transformações que a vida vai sofrer ao me mudar para a civilização, primeiro mundo brasileiro, o avesso do Brasil

Mas, como diz a minha outra amiga de infância-também irmã da Syl-e-futura roommate Elis, depois de anos morando no meio do mato, eu gerei uma reserva de tranquilidade. E essa vai ser a hora de recorrer a ela!

O grande dia é dia 5 de julho.

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Isso sim é o Brasil

19, Junho 2009 · 2 Comentários

Estive em Prata, uma cidade que fica no pontal do Triângulo mineiro e estou mais convencida de que aquilo sim é a cara do Brasil. Vejam o que encontrei por lá:

1. Calor
2. Para jantar, espetinho, caldo e aipim
3. Pimenta, muita pimenta
4. Carro de som comunicando a morte e convidando para o velório

E o que não encontrei por lá:
1. Coentro (ufa!)
2. Taxímetro – a viagem custa 10 reais pra qualquer canto da cidade
3. Tampo no vaso sanitário dos banheiros de locais públicos

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Minacity a frente do seu tempo

5, Junho 2009 · Deixe um comentário

Em setembro do ano passado, Minacity recebia a presença ilustre de quatro amigos para a comemoração de um certo aniversário. Depois de um passeio à praia, os quatro aguardavam ansiosamente o início do show da banda que iria animar o “Baile do Hawaii”.

Três elementos vestidos de skatistas sobiram ao palco. O mais tatuado assumiu os teclados. O de boné pra trás tinha uma guitarra a tira-colo. A função do terceiro era tão importante que me foge da lembrança agora.

Entusiasmados, os quatro expectadores do sul se animam: “Só pode ser rock/pop. É hoje!”

A banda então ensaia o primeiro acorde e vai:

“Você não vale nada mas eu gosto de você” (estridente)… e o tecladinho “tananananananã” (não mais que duas notas diferentes).

“Aaaaahhh não acredito!!”

Preciso dizer que os incautos sulistas viraram as costas e desistiram de baile do hawaii? Não esperaram nem acabar essa música.

E agooooora, mais de nove meses depois, a Globo vem me dizer que a “música vira hit nas rádios?”

E vem me dizer que essa é a música da Norminha?

Pra mim essa é a música oficial das roubadas em que nos enfiamos ao longo de 2008. Porque essa música já era hit nos interiores do país muito antes de Glóia Peres pensar em escrever uma novel indiana (blergh, a propósito)..

E as roubadas de 2007 foram embaladas ao som de “Beber, cair e levantar”! (que também só chegou aos ouvidos da civilização pra meados do ano passado!)

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5 mil corações despedaçados

2, Junho 2009 · Deixe um comentário

Quando acontece uma tragédia como essa do avião desaparecido, eu não fico com pena de quem se foi. Claro, devem ter passado por momentos aterrorizantes, mas quem sofre mesmo é quem ficou. Já pensou, se cada um dos presentes no voo 447 tinha umas 20 pessoas próximas, quer dizer que nesse momento cerca de cinco mil pessoas estão de coração partido, sem poder se despedir dos seus. Cinco mil vidas desmoronadas. É gente pra caramba!

Descobri ontem à noite que por pouco eu não faço parte dessa estatística. A Dani, irmã mais velha de uma grande amiga minha de infância, estava com passagem marcada para a Françca nesse domingo às 19h. Poucos dias antes, o órgão onde trabalha decidiu que deveria ir uma colega dela em seu lugar e, com essa mudança, acabaram colocando toda a equipe num avião da Lufthansa! Ufa! A Marina ganhou uma irmã ontem! Ainda continua sendo triste para as 228 famílias e grupos de amigos, mas só de pensar no Vinícius e na Ana Júlia, filhos da Dani de 13 e 3 anos, já da um alívio no coração!

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Me mandem de volta!!

29, Maio 2009 · 3 Comentários

A pessoa volta pra civilização e acha que ainda está morando no interior. Vejam o que aconteceu comigo ontem e me digam se não é pra me mandar de volta pro TOCA:

Fui a um evento na Assembléia Legislativa e tive que rodar muito lá pra achar uma vaguinha pra deixar o carro.

Rodei, rodei, rodei… até que achei a última vaga num lugar que nem estacionamento é. É uma pista de uma via movimentada que virou estacionamento ao longo dos anos. Tinha um guardador, que me orientou na baliza e só por isso concordei em lhe dar um real. Na hora ainda caiu uma moedinha no chão e eu falei que ele podia ficar com ela. Ele me pediu mais, eu disse que não tinha trocado, era só o que eu tinha. E ele “mas eu tenho troco!” .. Pode?

Enfim, o caso é que eu fui pro evento, fiquei umas três horas lá e quando saí, já à noite, só restava o meu carro e nada do guardador.

Acreditam que quando eu cheguei percebi que não tinha acionado o alarme? E pior, a janela tava abertona???

Fiquei mega assustada, entrei no carro e arranquei.

Nisso veio um guri acenando (percebi que não era o mesmo guardador do início porque esse tinha dois braços e aquele, só um)… ele tentou me fazer parar o carro, acho que queria falar comigo. Isso me assustou mais ainda e arranquei sem falar com ele.

Aí a ficha começou a cair… o carro passou três horas aberto, num lugar meio ermo, anoitecendo, no pé de um morro…

Olhei pra trás e vi que o banco estava vazio… me desesperei! Minha irmã que usa mais o carro, vive deixando uma bagunça ali atrás! Achei que os carinhas tinham feito uma limpa! E desandei a chorar.

Na hora que peguei a minha irmã, aos prantos, fui olhar com ela se tava faltando alguma coisa… e acreditam que o guardador escondeu as bolsas embaixo dos bancos?? Eu tenho certeza disso, porque elas não estavam ali quando entrei no carro…

Agora fiquei com o maior dos remorços… acho que vou voltar lá e recompensar quem quer que tenha cuidado do meu carrinho pra mim!

E acho também que aprendi a lição…

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Aos poucos…

26, Maio 2009 · 2 Comentários

Quando eu era mais nova, meu sonho era conhecer o exterior. Ficava sonhando com os pacotes de intercâmbio que apareciam no jornal, chegava a literalmente sonhar que tinha ido à Disney/Paris/Japão – só pra acordar na frustração de estar em casa. Até que um dia apareceu uma oportunidade muito legal de fazer um estágio fora. Lá fui eu pra Washington, DC, sozinha, aos 21. Na época namorava um guri que fazia faculdade comigo, e estava fazendo um daqueles work experiences na Louisiana. E lá fui eu, morar e trabalhar em Washington, com a cabeça na Louisiana.

De lá partimos juntos para Londres, onde fiquei por mais um ano e meio – morando e trabalhando lá, e a cabeça o tempo inteiro pensando na família no Brasil. Tudo o que eu fazia era pensar nos irmãos, sobrinhos, pais, primos que estavam aqui, as crianças crescendo na proporção da minha saudade. Apesar de adorar estar morando no exterior, não foram poucas as vezes que eu vinha para o Brasil, em sonho, visitar a família – só para acordar com a saudade ainda maior.

De volta ao Brasil, os próximos dois anos passei morrendo de vontade de voltar pra lá. É, eu sei, uma eterna insatisfeita.  Já formada, fiz mil e um planos de embarcar numa pós-graduação mundo a fora. Vivia pesquisando, a ponto de entrar em contato com professores de Portugal e Inglaterra. Fiz até o exame do IELTS.

Até que apareceu a oportunidade de ir trabalhar no interior do Tocantins. Uma experiência única que levou longos e ligeiros dois anos para passar. As dificuldades e privações foram muitas, o que me fazia estar sempre com a cabeça na civilização… a internet era minha porta para o mundo, e eu contava no dedo os 60 dias que separavam uma ida a Floripa de outra.

Hoje, de volta a civilização, a vida insiste em pregar dessas peças: corpo, alma, trabalho e família estão aqui comigo em Florianópolis. E o coração fugiu pra São Bento do Sul e já avisou que vem me ver nos fins de semana.

“Tô, não tô” é isso. Eu lá, a cabeça aqui.  Eu aqui, o coração acolá. Uma insatisfação crônica. Uma eterna busca por algo mais.

As impressões, as histórias, os contrastes, os aprendizados, as lendas, as pessoas estão por todas as partes. Uma hora temos que saber olhar para elas. Na outra, é melhor esperar que elas trombem em nós. Vamos ver que rumos esse blog vai tomar…

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