Meu amigo Richard Amante, que está morando na China, escreveu esses dias sobre a dificuldade que ele tem com banheiros por lá. Me identifiquei muito com ele, apesar de eu estar no Brasil.
Cheguei à conclusão de que banheiro é uma questão cultural. Onde ele é posicionado na casa, a higiene, a louça, os móveis, a decoração… tudo uma questão cultural.
Já falei, aqui, e aqui, sobre algumas características culturais dos banheiros aqui no Toca.
Aqui, banheiro é no lado de fora da casa. Muitas vezes. Acho que isso remete ao tempo em que se faziam necessidades na rua, mesmo, no mato.
Em geral o banheiro é o lugar menos privilegiado da casa. Normalmente o vaso não tem tampo, não existe divisória entre o box e o resto do banheiro, não existe bancada, revestimento muito menos, armarinho é raro, e espelho também. E nos lugares públicos, quando existe banheiro, a porta nunca tem trava. Acho que senha é: porta fechada, banheiro ocupado.
Uma vez aqui na região, perto de Minacity, num reassentamento perguntaram pros reassentados se queriam banheiro dentro ou fora de casa. Todos, pela modernidade da coisa, preferiram dentro, claro.
Só que isso com o tempo virou um grande problema: as pessoas aqui não têm o hábito de limpar o banheiro. Simplesmente porque antes ele era na rua. Aí, surgiram duas situações:
1. O cabra bloqueou o acesso ao banheiro, e voltou aos hábitos originais; ou
2. O cabra voltou aos hábitos originais e usou o banheiro como mais um cômodo da casa: enfiou um vaso de planta na privada!
Esses dias, conversando com um grupo de professores aqui de Palms Springs, um deles falou de minha cidade natal:
- Ah, Floripa… o lugar é tão lindo que o banheiro do terminal de ônibus é o mais limpo que já vi na minha vida!
Sim, ele estava falando do Ticen!


2 respostas Até agora ↓
Marta // 25, Setembro 2007 às 11:30 am |
Quando se viaja de carro do sul para o norte, dá para saber que chegamos ao sudeste pelos banheiros. A limpeza dos banheiros das cidades do sul não existe em qualquer outro lugar.
Isso sim é o Brasil « Tô, não tô // 19, Junho 2009 às 10:32 am |
[...] E o que não encontrei por lá: 1. Coentro (ufa!) 2. Taxímetro – a viagem custa 10 reais pra qualquer canto da cidade 3. Tampo no vaso sanitário dos banheiros de locais públicos [...]