Não, vocês não sabem o que dois anos e meio de Tocantins são capazes de fazer com a cabeça de uma pessoa.
Vocês não sabem.
Por exemplo, até o início do ano se eu tivesse com fome, eu ia ao supermercado Bom Preço e pedia um pão de queijo e um toddynho. Era simples, de todas as opções já testadas, essa combinação era a única que não me decepcionava.
Agora, em São Paulo, eu estou com fome, vou ao Pão de Açucar e simplesmente saio de lá com fome, porque tem tanta opção que eu não consigo escolher nenhuma. Ainda não sei o que é legal, o que é gostoso, o que vai me fazer mal (pq eu não posso ingerir lactose, mas lá no TOCA eu estava no modo TOCA e essas frescuras urbanas não me atingiam). Hoje comprei o pão do cachorro quente e esperei chegar em casa pra matar a fome, porque não consegui decidir entre nenhum dos petiscos para comer no caminho pra cá.
Era mais fácil conviver com menas opção. Beeeem mais fácil.
Quer dizer, não é que tem uma escola de espanhol perto da minha casa. TEM TRÊS. Aí eu tenho que ir nas três escolas, fazer o orçamento, teste de nivelamento, conhecer as instalações, pra ver qual das três me agrada mais.
Não era mais fácil ter só uma e aí eu fico satisfeita com o preço, o nivel e as instalações e fim?
Eu não sou uma pessoa exigente. Não me deem opções.
Acho até que esse post poderia inclusive render um belo ensaio sobre o processo de desenvolvimento cognitivo e intelectual de uma pessoa que cresce no interior pacato e restrito do TOCA versus uma criatura que cresce no meio da borbulhante e diversificada São Paulo. Eu poderia. Mas não vou.
*Tradução livre para o paulistanês: Orra meu, tudo isso?
Pois é, vou pra São Paulo. A Syl, amiga de prézinho-parceira de TCC-colega de primeiro emprego, agora me indicou pruma vaga super legal na agência onde ela trabalha.
Vou com um friozinho, ou melhor, um freezer se manifestando na barriga, tanto pelo desafio de fazer uma coisa nova quanto pelas transformações que a vida vai sofrer ao me mudar para a civilização, primeiro mundo brasileiro, o avesso do Brasil…
Mas, como diz a minha outra amiga de infância-também irmã da Syl-e-futura roommate Elis, depois de anos morando no meio do mato, eu gerei uma reserva de tranquilidade. E essa vai ser a hora de recorrer a ela!
Em setembro do ano passado, Minacity recebia a presença ilustre de quatro amigos para a comemoração de um certo aniversário. Depois de um passeio à praia, os quatro aguardavam ansiosamente o início do show da banda que iria animar o “Baile do Hawaii”.
Três elementos vestidos de skatistas sobiram ao palco. O mais tatuado assumiu os teclados. O de boné pra trás tinha uma guitarra a tira-colo. A função do terceiro era tão importante que me foge da lembrança agora.
Entusiasmados, os quatro expectadores do sul se animam: “Só pode ser rock/pop. É hoje!”
A banda então ensaia o primeiro acorde e vai:
“Você não vale nada mas eu gosto de você” (estridente)… e o tecladinho “tananananananã” (não mais que duas notas diferentes).
“Aaaaahhh não acredito!!”
Preciso dizer que os incautos sulistas viraram as costas e desistiram de baile do hawaii? Não esperaram nem acabar essa música.
Pra mim essa é a música oficial das roubadas em que nos enfiamos ao longo de 2008. Porque essa música já era hit nos interiores do país muito antes de Glóia Peres pensar em escrever uma novel indiana (blergh, a propósito)..
E as roubadas de 2007 foram embaladas ao som de “Beber, cair e levantar”! (que também só chegou aos ouvidos da civilização pra meados do ano passado!)
Troca de tiros, perseguição policial e morte. Palm Springs está virando mocinha!
O caixa eletrônico de uma usina hidrelétrica foi roubado ontem por quatro homens armados que renderam seis vigias noturnos. Na fuga, levaram dois dos reféns e um carro da empresa. Ao deparar com a polícia, os assaltantes fugiram e um refém levou um tiro no pescoço. Deixaram ali os reféns, o carro e o caixa eletrônico.
Os policiais fizeram uma varredura na zona rural e fecharam todas as estradas de terra. No final da tarde, um assaltante chegou ao hospital “todo peneirado”, segundo informações de enfermeiros. A polícia diz que ele morreu com três tiros.
Segundo testemunhas, um policial teria dito “descarreguei toda minha metralhadora e não acertei nenhum tiro!” – ainda bem que essa metralhadora não foi descarregada no refém, em quem os policiais atiraram pensando se tratar de um bandido.
Testemunhas ainda contam que a família do refém baleado foi agredida por policiais no hospital, e parte está presa até agora. Pastelão!
A propósito, já é o segundo assalto desse tipo em três meses. Estariaa região de Palm Springs virando rota deste tipo de quadrilha?
Para a felicidade dos postos de venda de cartão pré-pago, e infelicidade dos palm springsters, foram bloqueados neste final de semana os telefones 0800 da BrasilTelecom de Palm Springs. O que ocorria na city é que algumas pessoas compravam por R$15 o chip pré-pago da BrT com um crédito de R$5 que nunca acabava! Dizem que a BrT não conseguia achar a origem do problema.
Desde quando chegou o celular a Palm Springs, em dezembro, a loja da BrasilTelecom estava sempre cheia de gente querendo tentar a sorte. Durante três meses foi assim. E era sorte mesmo. Só depois de usar todo o crédito de R$5 é que a pessoa ficava sabendo se tinha tirado a sorte grande. Se o chip fosse dos premiados, aí pronto. Ligações grátis para o brasil inteiro, ilimitadas! Só tinha que obedecer a duas regras: fazer pelo menos uma ligação por dia e não ligar o telefone em outra área de serviço.
Teve gente que comprou 5, 6 chips premiados e conseguiu vender cada um por até R$150.
Na semana passada diziam que os chips com prefixo 8439 eram os da vez. Segunda, terça-feira ainda tinha gente dando sorte. Mas dessa vez, quem riu por último não riu melhor. Todos os 0800 de que tive notícia foram bloqueados durante a páscoa.