Acabei de chegar de viagem. Era noite já. Na hora em que dobramos a esquina da nossa rua: “ué, cadê o Uno?” Ontem quando saí ele estava exatamente aqui na frente de casa!!!
Nessa hora, três coisas passaram pela minha cabeça ao mesmo tempo:
1. Roubaram o Uno
2. Algum amigo precisou do Uno
3. Estão tirando com a minha cara
Acontece que o Uno vermelho mora na rua desde o dia em que o resgatei da garagem usando uma pinguela, e ficou impossível guardá-lo de volta.
Entrei em casa pra me certificar de que tudo estava aqui dentro. Não, não tinha havido um assalto e sim, a chave estava aqui no porta-chaves! Logo, a hipótese de um “empréstimo” foi descartada.
Não acreditei no que vi quando não encontrei ele onde tinha deixado. Não é possível que alguém tenha roubado o Uno! Quem ousaria? Qualquer um que visse o Uninho andando por Palm Springs pilotado por um estranho notaria que alguma coisa está errada!!
Fui então perguntar na casa vizinha. Três velhinhos saíram lá de dentro e não sabiam de nada. Um deles disse:
- Olha, eu vi o carro hoje cedo, até tava passando as máquina do asfalto e eu ia falar com o meu sobrinho, pra ele tirar o carro, mas aí vi que não era o uno dele e aí …blablabla…
Então ligamos pra um amigo, pra saber se ele sabia de algo – a possibilidade de estarem tirando uma com a nossa cara ainda não tinha sido descartada!
Mas não, ele não sabia de nada.
O próximo passo foi ligar para o prefeito: Se passaram com as máquinas do asfalto, é possível que um guincho tenha tirado o carro?
- Não, – disse o prefeito – e não foi hoje que passou a máquina, foi ontem!
Eu ainda não acreditava que alguém tivesse roubado o Uno Vermelho! Eu ria de nervoso, só conseguia rir!!
Até que a velhinha vizinha me chamou e disse que ia me mostrar um carro que ela achava estanho que estava num lote vazio aqui na rua. Eu não dei muita bola, e chamei a Cláudia pra ir à delegacia prestar queixa! Finalmente a ficha havia caído: roubaram o Uno em Palm Springs!
Foi então que um vizinho veio de longe falar comigo:
- Esse aqui sabe! – disse a velhinha vizinha.
Aí o moço começou a contar:
- Sabe o que é, moça? É que ontem os homens queriam passar as máquinas do asfalto. Eles precisavam tirar o Uno dali. Chamaram, chamaram, e ninguém atendia na sua casa. Então uma hora eu vi uma moça chegando [era a diarista] e ela me entregou a chave do Uno. Eu peguei o carro, coloquei ali naquele terreno baldio do lado da minha casa e devolvi a chave. Quando terminou o serviço do asfalto, não tinha mais ninguém em casa pra devolver o carro pro lugar.
Cláudia e eu rolamos de rir!!Mal conseguimos terminar de ouvir a explicação do moço!
Assim que me recuperei, atravessei a rua e lá vi, no meio do capim alto do terreno baldio, o Uninho querido estacionado esperando ser resgatado. Se ele não tivesse tão sujo, teria dado um beijo nele!! (não no vizinho, no Uno ahahaha)