Tô, não tô

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Me sentindo solidária

22, Outubro 2009 · 3 Comentários

Depois de:

1.Entregar esfirras quentinhas recém-compradas pra um mendigo na rua,

2. dar presentes de Dia das Crianças pra CIGS, e

3. Levar um prato de comida prum boliviano-vendedor de lenços,

Percebi que São Paulo me deixou um tanto solidária quando, no último sábado, encontramos uma bolsa novinha com todos os documentos dentro no meio da rua. Quem encontrou foi a . Mas logo todas nos sentimos responsáveis pelo caso.

Nossa missão a partir de então virou: Encontrar a Helena

Era hora de balada e estávamos na Vila Madalena. O primeiro impulso foi procurar o bar mais próximo e ver se a dona estava lá. Depois, no bar aonde estávamos indo, e nada. Na verdade, nos dois bares houve registros de bolsas roubadas (que beleza, hein?), mas a Helena não estava em nenhum dos dois.

Daí, chegamos ao nosso bar, com a tal bolsa em punho, e começamos a pensar no que fazer: ligar pro Banco, pra Faculdade, pro Ticket, pro Bilhete Único, sei lá!

Nessas horas eu faço o que eu gostaria que fizerem se eu estivesse na situação: Se algum dia alguém encontrar um documento sequer meu na rua, POR FAVOR, TENTEM ME ENCONTRAR!!!

Aí, tivemos a luz: Orkut!

No celular-mega-powaer-3g da Fê, colocamos o nome completo da Helena no Orkut e a primeira foto já entregou: “Achamos, achamos, é ela!!”
(tá certo que nessa hora fomos muito espertinhas e não colocamos o nome completo, e sim o nome que ela assina no RG, que é o primeiro e o terceiro, e não o primeiro e o último, como a maioria das pessoas faz)
Na hora deixamos um scrap pra ela. E aconteceu uma coisa super bizarra que se repetiu durante todo o domingo também: o Orkut apagava todos os scraps nossos para a Helena!! Estranho, não?

Domingo até entrei numa comunidade da Vila Madalena no Orkut e deixei um aviso: se alguém conhece alguma Helena que tenha sido roubada no sábado, entre em contato!!

Enfim. Ao final do domingo a Fê chegou a me ligar: alguma notícia da Helena?

Nada.

Até que na segunda-feira pela manhã, chegou um e-mail: “Helena left you a new scrap”

Antes de abrir a página, anunciei na sala:

- Meninas, meninas, a Helena entrou em contato!!! (ahahaha, todas as meninas da agência compadecidas com a história)

E então, Final feliz!! Liguei pra ela (tadinha, disse que estava chorando desde sábado) e ela foi buscar a bolsa no dia seguinte na casa da Fê.

O mais engraçado é que ela falou: “Vocês foram super inteligentes de terem ido direto ao Orkut me procurar!!”

Ahaha, no que a Fernanda explicou: “Somos jornalistas, né?”

A Fê me ligou na hora para contar como foi o encontro, toda feliz de termos cumprido mais essa boa-ação, e completou:

“Não quero nem ver quando chegar o Natal, vamos estar insuportaveis com amor pra dar e vender”

Ahahahahahahah

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Desde Cuba, con cariño

20, Outubro 2009 · Deixe um comentário

- Papi, quantos frangos vc comeu na vida?

- Como vou saber isso? Eu não faço contas com a comida.

- Papi, se tu tens 53 anos e cada mes recebes uma libra de frango do açougue, só tens que saber quantos meses vivestes. Quando tiveres este número o divides por quatro libras , que é mais ou menos o que pesa um frango normal.

- Minha filha, quando eu nasci os frangos não vinham pela libreta (de racionamento)

- Ah papai, tu queres me fazer acreditar que antes, nos açougues, te vendiam todo o frango que quisesses…

Esse para mim é o diálogo mais impressionante do livro “De Cuba com Carinho”, de Yoani Sanchez – que estou lendo desde a semana passada. A autora cubana começou a escrever um blog há pouco mais de dois anos e provavelmente não tinha ideia da proporção que ele tomaria. Tanto que logo virou um livro. Em Generación Y ela conta as histórias de sua vida e do dia-a-dia. Seria um blog-diário como outro qualquer, não fosse o fato de que Yoani vive em Cuba, um país que insiste em um sistema que já se provou falido. O fechamento do país, que inicialmente se justificava para preservar a produção interna, já mostra sinais de cansaço – como um velhinho debilitado que insiste em dizer que tem forças para morar sozinho.

Os relatos de Yoani Sanchez chocam. Como é possível viver em um país em que internet, hotéis e outros “luxos” estão lá somente para atender aos turistas? Num país que decide se você pode ou não comprar uma tv/casa/frango/passagem para o exterior? E ainda assim escolher ficar em vez de fugir?

Felizmente a internet permite que, apesar de não poder deixar legalmente seu país, os cubanos consigam se espalhar pelo mundo, com seus relatos e protestos. Yoani se finge de estrangeira para usar a internet em hotéis. Usa o twitter pelo celular. Assim vai fazendo a sua parte para que algo finalmente mude por lá.

Hoje, 20 de outubro de 2009, é dia de blogacción pelo mundo. Cada um ajudando do seu jeito a espalhar ainda mais o apelo de Yoani e todos os cubanos:

Se me ocurre usar los kilobytes, acogerme al filo de la palabra que es también cortante y hace crecer preceptos más duraderos que el machete. Recorran la red, pues, los cinco puntos de esta blogacción como el toque a degüello contra el control, el autoritarismo y la censura:

- Libertad de opinión

- Libertad de acceso a Internet

- Libertad para entrar y salir de Cuba

- Libertad de asociación

- Libertad para los presos de consciencia

- Libertad para Cuba

Yoani Sánchez

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É assim né…

16, Outubro 2009 · 2 Comentários

Estávamos eu e meus roommates conversando ontem sobre como  é injusto esse mundo que não reservou nenhum marido rico para nenhum de nós três…

Já pensou, o dia inteiro de madame, só esperando o marido chegar em casa?
Ia dar tempo de fazer taaaanta coisa, não é mesmo minha gente?

Niqui estávamos falando isso, no celular pulula uma mensagem do Bunitinho:

“Acabei de chegar em casa. Essa vida de trabalho árduo e temprano me cansa. Fica rica logo, meu amor. Beijos”

O.o

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Meu presente de Dia das Crianças

6, Outubro 2009 · 4 Comentários

Eu fui praticamente a última a chegar e sentei na janelinha.

A Nana, que trabalha comigo, chegou um dia com uns pacotes e contou que estava participando da Ação de Dia das Crianças promovida pela Lelê, do Te dou um dado?.

A ideia era cada pessoa adotar uma criança e dar a ela uma roupa, um sapato e um brinquedo.

Na hora me empolguei, só que já era tarde… todas as crianças já tinham sido adotadas.

De qualquer forma, mandei um e-mail: “Cheguei atrasada… se alguém ficou sem presentes, quero participar!”

E funcionou. Logo a Lelê respondeu que tinha uma menina que tinha recebido presentes inadequados para a idade.

Que bom!

Comentei com ae ela topou entrar nessa comigo.

No dia seguinte, saímos para comprar nosso presente. Foi uma sensação muito boa escolher cada detalhe, imaginar como ela seria e pensar na felicidade da menina ao receber aquilo tudo!

As duas fomos dormir felizes aquele dia…

Mas o melhor de tudo foi domingo passado.

Eu e a Nana fomos acompanhar a entrega dos presentes, na festa de dia das crianças do PCA.

Logo na chegada, me mostraram a Carolina, nossa adotada. Linda, de bota até o joelho, meia-calça azul, sainha jeans e blusinha rosa. De longe, eu observava como ela dançava, muito vaidosa!

Escolhemos os presentes certos, pensei.

Na hora da distribuição, mal podia esperar a hora que chamassem a Carolina, para ver a carinha dela ao abrir os presentes.

Ma aí… olha que broxante… a Carol (íntima) pegou o pacotão dela, levou pra perto do pai, e ele sumariamente decretou: “É pra abrir agora não. Só em casa”. Unf! Frustrante…

Mas aí, aproveitei uma hora que ele estava longe, cheguei bem pertinho e me apresentei:

- Oi, eu sou a Denise. Eu e minha amiga Fernanda escolhemos estes presentes com muito carinho. Espero que você goste.

Ela abriu um sorrisão lindo e me abraçou:

- Muito obrigada!

Eu não resisti e falei no ouvido dela:

- Quer saber o que tem dentro do pacote?

E ela só fez que sim com a cabeça.

Contei cada ítem que escolhemos pensando nela.

Mais uma vez, ela se levantou, me abraçou e disse: Muito obrigada!

Pronto. Taí o que eu ganhei de Dia das Crianças!

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Uma reserva de tranquilidade

22, Junho 2009 · Deixe um comentário

Pois é, vou pra São Paulo. A Syl, amiga de prézinho-parceira de TCC-colega de primeiro emprego, agora me indicou pruma vaga super legal na agência onde ela trabalha.

Vou com um friozinho, ou melhor, um freezer se manifestando na barriga, tanto pelo desafio de fazer uma coisa nova quanto pelas transformações que a vida vai sofrer ao me mudar para a civilização, primeiro mundo brasileiro, o avesso do Brasil

Mas, como diz a minha outra amiga de infância-também irmã da Syl-e-futura roommate Elis, depois de anos morando no meio do mato, eu gerei uma reserva de tranquilidade. E essa vai ser a hora de recorrer a ela!

O grande dia é dia 5 de julho.

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5 mil corações despedaçados

2, Junho 2009 · Deixe um comentário

Quando acontece uma tragédia como essa do avião desaparecido, eu não fico com pena de quem se foi. Claro, devem ter passado por momentos aterrorizantes, mas quem sofre mesmo é quem ficou. Já pensou, se cada um dos presentes no voo 447 tinha umas 20 pessoas próximas, quer dizer que nesse momento cerca de cinco mil pessoas estão de coração partido, sem poder se despedir dos seus. Cinco mil vidas desmoronadas. É gente pra caramba!

Descobri ontem à noite que por pouco eu não faço parte dessa estatística. A Dani, irmã mais velha de uma grande amiga minha de infância, estava com passagem marcada para a Françca nesse domingo às 19h. Poucos dias antes, o órgão onde trabalha decidiu que deveria ir uma colega dela em seu lugar e, com essa mudança, acabaram colocando toda a equipe num avião da Lufthansa! Ufa! A Marina ganhou uma irmã ontem! Ainda continua sendo triste para as 228 famílias e grupos de amigos, mas só de pensar no Vinícius e na Ana Júlia, filhos da Dani de 13 e 3 anos, já da um alívio no coração!

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