Tô não tô

As unhas mais lindas

Ao meu lado, no ônibus, sentou um rapaz moreno, estatura mediana, daqueles que entram na categoria fortinho – nem magro nem gordo. Calçava tênis adidas bege claro com três listras brancas e já meio acinzentadas pelo tempo tempo.  Vestia uma calça jeans escuro com desbotados na parte da coxa e alguns desgastes propositais que entraram na moda por algum inexplicável motivo. Vestia também uma camiseta vermelha de um cursinho pré-vestibular que estampava, nas costas, “Fiz [nome do cursinho], estou tranquilo”.

O cabelo era daqueles que só se penteiam uma vez ao dia. Raspado dos lados, estilo milico, a parte de cima cuidadosamente penteada para a frente, formando um mini topetinho acima da testa. No rosto, a barba por fazer denunciava um cavanhaque, ou vice-versa. Levava no colo uma mochila preta com bolso específico para ipod, decorada com elásticos vermelhos cruzados na frente – aparentemente sem alguma utilidade específica.

Mas eu não teria reparado em nada disso, não fosse por um detalhe: meu vizinho de ônibus tinha as unhas mais lindas que já vi nas mãos de alguém na vida. Cada uma media entre dois e meio e três centímetros, uniformemente lixada na ponta e alinhada na base da cutícula, e finamente pintada em um esmalte perolado que hipnotizava o olhar em busca de alguma imperfeição.

O que chamou a atenção para as unhas, em primeiro lugar, foi que o meu vizinho passava algo nelas com muita destreza em meio aos sacolejos do ônibus. Comecei a observar e, entre disfarçar o interesse e escancarar a curiosidade, optei pelo segundo:

– Desculpa, mas o que é isso?

– Uma caneta de cutículas.

– Como? (tirei o fone de ouvido para entender melhor)

– É (pigarreou), tu tira a cutícula e passa essa caneta durante um mês, e depois a cutícula não cresce nunca mais.

– Nossa! E onde tu encontraste isso?

– Comprei numa loja de importados ali no Centro.

– Um… são tuas?

– As unhas? São.

E então acabou o assunto. E o meu vizinho de ônibus seguiu viagem com as mãos sobre a mochila, os dedos esticados como quem tem medo de borrar o esmalte recém pintado.

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Tô não tô

Por um Brasil Literário

O Movimento por um Brasil Literário foi lançado em 2009 na Flip por algumas organizações (entre elas o Instituto C&A, a associação organizadora da Feira e a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil) que ansiavam pela transformação do País em uma sociedade leitora. Eu não conhecia esse movimento, até deparar com esse vídeo aí em cima, que foi produzido em 2010 e lançado na Flip deste ano. Objetivos, formas de participar, foruns e videos completos com entrevistas podem ser acompanhados no site do Movimento: http://www.brasilliterario.org.br/

Projeto Tocantins · Tô não tô

5 anos!

Essa semana o Blog fez 5 anos!

Com altos e baixos, mas estamos aí, há 5 anos na ativa. Confesso que às vezes fico desapontada comigo mesma, pois podia aproveitar muito mais e melhor esse espaço. Mas não faz meu tipo fazer dele um diário, e gosto de procurar sempre coisas relevantes pra por por aqui.

Cinco anos atrás, o Blog  foi criado pra contar as peripécias de uma jornalista recém-formada trabalhando em um projeto no interior do Tocantins. Mais precisamente Palmeirópolis, carinhosamente apelidada de Palm Springs, vizinha das não menos famosas Grande SS (São Salvador do Tocantins) e Paralá (Paranã). Muitas coisas curiosas aconteceram naqueles anos… afinal, era um cenário tão diferente do que estávamos acostumados! Lá, fiz grandes amigos pra vida inteira, que hoje estão espelhados pelo Brasil.

Naquela época, contava os dias para ir embora e voltar a morar na civilização. Às vezes, meu mantra era “eu vou até o fim, eu vou até o fim”. E aguardava ansiosamente o tão distante abril de 2009, que no fim virou março de 2009. E agora morro de saudades daquele tempo! (ok, ok, só de algumas coisas e pessoas)

Hoje olho pra trás e vejo o quanto aprendi morando lá. Principalmente quando fui morar em São Paulo, e me via em umas situações muito piores do que aquelas passadas no Tocantins. Mas sempre lembrava do meu mantra. E fui até o fim. Até onde eu aguentava. Mas em São Paulo, a coisa era diferente, eu não tinha um projeto com data marcada pra acabar. Então, São Paulo acabou quando eu vi que não precisava mais estar lá. Foi uma decisão difícil, mas hoje agradeço todos os dias por ter encarado tudo e todos e voltado pra Floripa.

Morando em Floripa, nossa querida civilização, não tenho mais coisas curiosas e divertidas pra contar. Mas tento manter o Blog pra mostrar o meu ponto de vista sobre todas as coisas, meu mundo, e arredores…

5 anos de Tô, não tô:

226 fotos
264 posts
445 comentários
40.215 visitas (desde nov/2007)
467 no dia mais visitado (21 de março de 2011)
691 visitas ao post mais famoso (Maconay – atualizado)
2.487 visitas ao post Bolinhas Mágicas, de pessoas que buscam no Google os termos “bolinhas que explodem dentro da mulher”
Tô não tô

Quem nunca?

Tentou pagar o ônibus com crachá da empresa?

Digitou a senha do portão eletrônico no relógio-ponto?

Passou o cartão de ônibus na catraca da recepção?

Digitou o telefone na máquina de cartão de crédito?

Digitou a senha do banco no portão eletrônico do prédio?

Atendeu o celular pessoal como se fosse o telefone da empresa?