Tô não tô

30 é bom D+

Ontem às 23h30 completei 30 anos. Completei não, completamos. Porque a Ana não ia me deixar sozinha nessa. E digo mais: ela tinha completado 5 minutos antes!

Enquanto me recupero do choque, tenho feito algumas reflexões:

  • 30 é a idade em que as coisas finalmente começam a se encaminhar
  • Tu olhas pra trás e consegues ver uma carreira se estabelecendo
  • Tu olhas pra frente e vês a quantidade de coisas que, agora sim, podem ser realizadas
  • Tu olhas pro lado e podes ver pessoas importantes sempre por perto. Incluindo um amor de verdade.
  • Tu olhas ao redor e vês as amigas queridas de infância e adolescência viajando/fazendo sucesso/construindo/casando/parindo
  • Tu olhas no espelho e vês que pintar o cabelo não é mais só uma opção. Ir para a academia, idem.
  • Ainda é a idade em que coisas para a casa são o melhor presente!
  • É também uma idade em que pqp, não se pode mais sentir um enjoo que todo mundo em volta já quer organizar um chá de fraldas!
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Tô não tô

De alma lavada!

A virada do ano foi em um lugar mágico numa ilha quase intocada, cujo nome e coordenadas combinamos não mais mencionar.

O “lugar cujo nome não pronunciaremos” tinha uma praia com uns 800 metros de extensão e verde para todos os lados. Os morros faziam uma meia-lua verde abrigando a praia de fora a fora, e o mar verde terminava de completar a paisagem.

Ao final da faixa de areia, um rio desembocava no mar e ali nessa mistura salobra sentávamos para boas gargalhadas.

Quando o último sol de 2009 estava preparando para se despedir, uma nuvem carregada de chuva se revelou por detrás de um dos morros e a turma decidiu voltar para o camping, “antes que a chuva chegasse”.

Em bando, oito ou dez pés descalços começaram a atravessar os 800 metros que nos separavam do abrigo.

Nem era metade do caminho quando ela chegou. E chegou sem cerimônias, com pingos grossos, com jeito de quem aproveitava para chover a última chuva de dois mil e nove.

E era uma chuve bem chovida. Cada pingo pingava na pele com tanta vontade que chegava a doer. Os braços, o peito, a cabeça, os pés. Pingos doloridos!

E poucos segundos separaram os modos “seco” e “molhado” de nossas roupas e pertences. Em o que pareceu uma fração de segundo, estávamos encharcados!

Como a chuva vinha de frente, a primeira reação foi se esconder atrás dos mais altos. O Chicão, a prancha de surfe do Haruo e uma brancha de boddyboard serviam de abrigo. Como índios, formávamos fila uns atrás dos outros tentando fugir do ataque incisivo das gotas. O três então formaram um paredão e, de três em três fomos nos reunindo atrás, formando um compacto de gente. Para facilitar o passo, sincronizamos as passadas numa marcha quase harmônica. Nessa hora, até um grito de guerra foi improvisado!

Frustradas as tentativas de se proteger da chuva, pequei o Namorado pela mão e decidi enfrentá-la.

E assim encaramos aquela chuva como um banho de energia para o ano que se aproximava. De vez em quando eu não resistia e tentava abrigo atrás dele, mas a chuva era insistente! Então, encaramos frente-a-frente.

E assim percorremos os intermináveis metros que nos separavam do abrigo final.

Deixando pra trás, gota a gota, o que não precisava ser levado para o próximo ciclo.

E assim deixamos 2009 para trás. E seguimos em frente de alma lavada!