Projeto Tocantins

Casamento no norte goiano

Era 1973 e quatro casais e mais alguns familiares partiram pela zona rural do norte goiano rumo à paróquia mais próxima a cavalo. Eles moravam na região que anos depois foi o embrião da Grande SS, zona rural do município de Paralá. Mas não me perguntem como foram parar lá.

Só sei que um dia eles precisaram ir até a paróquia de Paralá. Zé, Tereza, os outros três casais e mais uns familiares. Partiram ao todo 16 pessoas. E eles contaram com a ajuda de alguns vizinhos de grito para atravessar o primeiro obstáculo, o Rio Tocantins.

Sobe morro, desce morro, cerrado. Viola, pandeiro, cantoria. Na primeira noite, dormiram na casa de uns parentes.

Sobe mais morro, desce mais morro, mais cerrado. Oração, catira. No meio do caminho, um fazendeiro não teve escolha a não ser oferecer pouso aos 16 viajantes que rumavam à paróquia de Paralá.

Sobe outros morros, desce outros morros, o mesmo cerrado. Cansaço. No final da noite, chegam à paróquia de Paralá. Não foi difícil distribuir os membros do comboio em casas de familiares que moravam “na rua”.

Nos três dias que se seguiram, Zé, Tereza e os outros três casais festejaram os quatro casamentos realizados na paróquia de Paralá.

Diz a Tereza que achava que tava indo pra uma festa qualquer… e foi surpreendida com o próprio casamento!

O registro civil do casório foi realizado só alguns anos depois, quando Zé e Tereza aproveitaram para registrar os três filhos mais velhos: Edjan, Edirene e Ezirene.

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Casamento em Palm Springs

Um casamento típico aqui de Palm Springs é muito diferente de tudo o que a gente está acostumado no sul do Brasil. A cerimônia crente foi realizada no salão paroquial da igreja católica, e o convite chamava para a festa de despedida de solteiro a ser realizada depois da cerimônia. Já começou atravessado…

Antes de a noiva chegar, cada par de noivinhos atravessava o tapete roxo com um propósito específico. As daminhas, cada uma com um vestido diferente; os pajens vestindo uma camisa roxa, todos combinando com a decoração: elas de branco com verde, eles de roxo. Então, um par entrou despejando pétalas, outro par trouxe portas-retrato com a foto dos noivos para dar para os padrinhos. Depois que a noiva já estava no altar, um pajem entrou trazendo um porta-retrato para cada um dos sogros. Depois foi a vez de uma daminha vestida de lilás trazer uma bandeja com um pão caseiro, uma taça de vinho, e as alianças.

Durante a cerimônia, o padre fez questão de ressaltar que o homem é o cabeça e a mulher é a auxiliadora.

Acabou a cerimônia, foi servido o jantar: membros da família da noiva distribuiram embalagens de isopor com comida dentro – feijão tropeiro, arroz, carne e aipim – e garrafas de 2l de refri.

Enquanto todos se deliciavam com o jantar, os noivos foram de mesa em mesa cumprimentar os convidados. E, como num passe de mágica, os convidados foram se retirando imediatamente! No final dos cumprimentos, não sobrava mais ninguém nas mesas. Ninguém ficou para a tal despedida de solteiro de depois da cerimônia.

O buquê de rosas vermelhas não foi jogado, para decepção das solteiras. E o bolo saiu intacto da cerimônia e, como é de costume, foi comido só no dia seguinte na casa da família da noiva.