Tô não tô

Me sentindo solidária

Depois de:

1.Entregar esfirras quentinhas recém-compradas pra um mendigo na rua,

2. dar presentes de Dia das Crianças pra CIGS, e

3. Levar um prato de comida prum boliviano-vendedor de lenços,

Percebi que São Paulo me deixou um tanto solidária quando, no último sábado, encontramos uma bolsa novinha com todos os documentos dentro no meio da rua. Quem encontrou foi a . Mas logo todas nos sentimos responsáveis pelo caso.

Nossa missão a partir de então virou: Encontrar a Helena

Era hora de balada e estávamos na Vila Madalena. O primeiro impulso foi procurar o bar mais próximo e ver se a dona estava lá. Depois, no bar aonde estávamos indo, e nada. Na verdade, nos dois bares houve registros de bolsas roubadas (que beleza, hein?), mas a Helena não estava em nenhum dos dois.

Daí, chegamos ao nosso bar, com a tal bolsa em punho, e começamos a pensar no que fazer: ligar pro Banco, pra Faculdade, pro Ticket, pro Bilhete Único, sei lá!

Nessas horas eu faço o que eu gostaria que fizerem se eu estivesse na situação: Se algum dia alguém encontrar um documento sequer meu na rua, POR FAVOR, TENTEM ME ENCONTRAR!!!

Aí, tivemos a luz: Orkut!

No celular-mega-powaer-3g da Fê, colocamos o nome completo da Helena no Orkut e a primeira foto já entregou: “Achamos, achamos, é ela!!”
(tá certo que nessa hora fomos muito espertinhas e não colocamos o nome completo, e sim o nome que ela assina no RG, que é o primeiro e o terceiro, e não o primeiro e o último, como a maioria das pessoas faz)
Na hora deixamos um scrap pra ela. E aconteceu uma coisa super bizarra que se repetiu durante todo o domingo também: o Orkut apagava todos os scraps nossos para a Helena!! Estranho, não?

Domingo até entrei numa comunidade da Vila Madalena no Orkut e deixei um aviso: se alguém conhece alguma Helena que tenha sido roubada no sábado, entre em contato!!

Enfim. Ao final do domingo a Fê chegou a me ligar: alguma notícia da Helena?

Nada.

Até que na segunda-feira pela manhã, chegou um e-mail: “Helena left you a new scrap”

Antes de abrir a página, anunciei na sala:

– Meninas, meninas, a Helena entrou em contato!!! (ahahaha, todas as meninas da agência compadecidas com a história)

E então, Final feliz!! Liguei pra ela (tadinha, disse que estava chorando desde sábado) e ela foi buscar a bolsa no dia seguinte na casa da Fê.

O mais engraçado é que ela falou: “Vocês foram super inteligentes de terem ido direto ao Orkut me procurar!!”

Ahaha, no que a Fernanda explicou: “Somos jornalistas, né?”

A Fê me ligou na hora para contar como foi o encontro, toda feliz de termos cumprido mais essa boa-ação, e completou:

“Não quero nem ver quando chegar o Natal, vamos estar insuportaveis com amor pra dar e vender”

Ahahahahahahah

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Projeto Tocantins · Tô não tô

Tudo isso, moço?*

Não, vocês não sabem o que dois anos e meio de Tocantins são capazes de fazer com a cabeça de uma pessoa.

Vocês não sabem.

Por exemplo, até o início do ano se eu tivesse com fome, eu ia ao supermercado Bom Preço e pedia um pão de queijo e um toddynho. Era simples, de todas as opções já testadas, essa combinação era a única que não me decepcionava.

Agora, em São Paulo, eu estou com fome, vou ao Pão de Açucar e simplesmente saio de lá com fome, porque tem tanta opção que eu não consigo escolher nenhuma. Ainda não sei o que é legal, o que é gostoso, o que vai me fazer mal (pq eu não posso ingerir lactose, mas lá no TOCA eu estava no modo TOCA e essas frescuras urbanas não me atingiam). Hoje comprei o pão do cachorro quente e esperei chegar em casa pra matar a fome, porque não consegui decidir entre nenhum dos petiscos para comer no caminho pra cá.

Era mais fácil conviver com menas opção. Beeeem mais fácil.

Quer dizer, não é que tem uma escola de espanhol perto da minha casa. TEM TRÊS. Aí eu tenho que ir nas três escolas, fazer o orçamento, teste de nivelamento, conhecer as instalações, pra ver qual das três me agrada mais.

Não era mais fácil ter só uma e aí eu fico satisfeita com o preço, o nivel e as instalações e fim?

Eu não sou uma pessoa exigente. Não me deem opções.

Acho até que esse post poderia inclusive render um belo ensaio sobre o processo de desenvolvimento cognitivo e intelectual de uma pessoa que cresce no interior pacato e restrito do TOCA versus uma criatura que cresce no meio da borbulhante e diversificada São Paulo.  Eu poderia. Mas não vou.

*Tradução livre para o paulistanês: Orra meu, tudo isso?