Projeto Tocantins

O Psit

“Lá vem o Psit!”

É a senha. De bate-pronto, os mais vacinados colocam a mão sobre o copo, recolhem maços de cigarro e protegem seus pratos!

O Psit talvez seja a figura mais conhecida de Palm Springs. Ele anda pelo meio da rua, sem ligar muito que a calçada é logo ali. Sempre de roupas surradas e rasgadas, mas cada dia com uma roupa diferente. Não conversa, mas dá pra perceber que ele sempre sabe quando estão falando dele. Caminha com os pés descalços e sabe muito bem aonde ir nos determinados horários do dia.

Na hora do almoço, fica perto do restaurante de Palm Springs. Mas pela manhã ele já passou na padaria do supermercado Modelo e à noite sabe que canal é vagar pelos espetinhos e os bares. Ele fica na espreita e, quando menos se espera, avança na mesa de um incauto cliente em busca de um maço de cigarros, um copo de coca cola ou um pedaço de carne.

Tem gente que dá o que tem, só para que ele simplesmente saia dali. Só que o Psit sabe ser esperto quando quer e escolhe direitinho seu alvo. Ele já gravou quem tem cigarro e já vai direto pras mesas-chave.

É capaz de fumar um maço inteiro em menos de meia-hora, se tiver alguém para fornecer. Coloca o cigarro na boca e dá várias tragadas seguidas, sem se importar com a cinza acumulada na ponta, até que o último milímetro seja fumado.

Nas horas de folga, ele vaga pela rua sem destino, mordendo a parte gorda da mão e soltando grunhidos indecifráveis.

Cidade pequena é igual em tudo quanto é lugar, inclusive as das novelas. Quem não se lembra do Jamanta, Tonho da Lua, Emanuel? O Psit é o personagem doidinho de Palm Springs.

O Psit é daqueles de quem os adultos de afastam e as crianças têm medo.

Ele já fez um tratamento em Anápolis, patrocinado pela prefeitura, alguns mandatos atrás. Dizem que depois de internações e remédios fortíssimos ele chegou ao ponto de travar uma conversação com o motorista que o trouxe de volta. Chegou até a trabalhar. Mas aí não teve continuidade e voltou à estaca zero.

Reza a lenda que um dia algumas damas da sociedade, incluindo uma certa primeira-dama de então, resolveram fazer uma faxina no Psit. Levaram ele lá pro Apertado da Hora para um banho completo. Acontece que se encantaram com o tamanho do documento do rapaz, não resistiram e… ui, prefiro nem imaginar essa cena…

Psit com o documento à mostra, para desespero da Cláudia!
Outra mania do Psit é andar com os documentos à mostra (clique na imagem se tiver coragem)
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O dia em que “roubaram” o Uno

Acabei de chegar de viagem. Era noite já. Na hora em que dobramos a esquina da nossa rua: “ué, cadê o Uno?”  Ontem quando saí ele estava exatamente aqui na frente de casa!!!

Nessa hora, três coisas passaram pela minha cabeça ao mesmo tempo:

1. Roubaram o Uno

2. Algum amigo precisou do Uno

3. Estão tirando com a minha cara

Acontece que o Uno vermelho mora na rua desde o dia em que o resgatei da garagem usando uma pinguela, e ficou impossível guardá-lo de volta.

Entrei em casa pra me certificar de que tudo estava aqui dentro.  Não, não tinha havido um assalto e sim, a chave estava aqui no porta-chaves! Logo, a hipótese de um “empréstimo” foi descartada.

Não acreditei no que vi quando não encontrei ele onde tinha deixado. Não é possível que alguém tenha roubado o Uno! Quem ousaria? Qualquer um que visse o Uninho andando por Palm Springs pilotado por um estranho notaria que alguma coisa está errada!!

Fui então perguntar na casa vizinha. Três velhinhos saíram lá de dentro e não sabiam de nada. Um deles disse:

– Olha, eu vi o carro hoje cedo, até tava passando as máquina do asfalto e eu ia falar com o meu sobrinho, pra ele tirar o carro, mas aí vi que não era o uno dele e aí …blablabla… 

Então ligamos pra um amigo, pra saber se ele sabia de algo – a possibilidade de estarem tirando uma com a nossa cara ainda não tinha sido descartada!

Mas não, ele não sabia de nada.

O próximo passo foi ligar para o prefeito: Se passaram com as máquinas do asfalto, é possível que um guincho tenha tirado o carro?

– Não, – disse o prefeito – e não foi hoje que passou a máquina, foi ontem!

Eu ainda não acreditava que alguém tivesse roubado o Uno Vermelho! Eu ria de nervoso, só conseguia rir!!

Até que a velhinha vizinha me chamou e disse que ia me mostrar um carro que ela achava estanho que estava num lote vazio aqui na rua. Eu não dei muita bola, e chamei a Cláudia pra ir à delegacia prestar queixa! Finalmente a ficha havia caído: roubaram o Uno em Palm Springs!

Foi então que um vizinho veio de longe falar comigo:

– Esse aqui sabe! – disse a velhinha vizinha.

Aí o moço começou a contar:

– Sabe o que é, moça? É que ontem os homens queriam passar as máquinas do asfalto. Eles precisavam tirar o Uno dali. Chamaram, chamaram, e ninguém atendia na sua casa. Então uma hora eu vi uma moça chegando [era a diarista] e ela me entregou a chave do Uno. Eu peguei o carro, coloquei ali naquele terreno baldio do lado da minha casa e devolvi a chave. Quando terminou o serviço do asfalto, não tinha mais ninguém em casa pra devolver o carro pro lugar.

Cláudia e eu rolamos de rir!!Mal conseguimos terminar de ouvir a explicação do moço!

Assim que me recuperei, atravessei a rua e lá vi, no meio do capim alto do terreno baldio, o Uninho querido estacionado esperando ser resgatado. Se ele não tivesse tão sujo, teria dado um beijo nele!! (não no vizinho, no Uno ahahaha)

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Correios – tudo muito simples

Eu e um amigo resolvemos assinar uma revista juntos. Só que tinha um porém: o carteiro não vem até a minha casa, alegam que “é muito longe”. Sendo assim, a assinatura foi feita EM MEU NOME, mas colocamos o endereço do meu amigo, na CASA DA RUA 15.

Umas três semanas depois de assinar, meu amigo questionou ao carteiro por que ainda não havíamos recebido nenhum exemplar. Como esse contato foi feito no escritório onde meu amigo trabalha, o carteiro pegou a resista que vem EM MEU NOME, endereçada originalmente para a CASA DA RUA 15, e passou a entregar no ESCRITÓRIO DA AVENIDA DAS PALMEIRAS.  Aí toda semana a secretária do escritório me avisava por msn que minha revista tinha chegado.  Tudo muito simples.

Até que um dia meu amigo viajou e eu fiquei meio sem jeito de continuar incomodando a secretária. Parei o carteiro na rua e falei para ele pegar a revista EM MEU NOME, endereçada para a CASA DA RUA 15 e guardar lá na agência porque eu pegaria direto lá.

Desde então, a revista em MEU NOME, endereçada para a CASA DA RUA 15, que antes era entregue no ESCRITÓRIO DA AVENIDA DAS PALMEIRAS, passou a ser guardada na prateleira da MINHA RUA. Tudo muito simples.

Só espero que não mudem o carteiro.

Sem categoria

Daqui até lá…

Pouca gente consegue imaginar como é difícil morar numa cidade de interior. Ainda mais interior do TOCA. Então, meu amigo Guilherme elaborou (e eu editei) uma pequena lista com as distâncias que precisamos percorrer para ter acesso a alguns itens básicos de sobrevivência (ta, ta, alguns nem tanto…). Tem gente que deve perguntar “mas como eles vivem sem isso?”. Calma, pra tudo temos uma solução:

1. bisnaguinha seven boys ou picolé kibon – 80 km por estrada de terra;
->pão de trigo e sorvete caseiro – 50 metros

2. viagra, (Guilherme diz: ‘nunca precisei, mas dizem que Porangatu tem’) – 160km
->
baru (castanha) serve pra mesma coisa – 5 metros

3. sushi-220 km,
->tucunaré frito- alguns metros até a casa de algum amigo pescador

4. chupar kiwi no pé – 1500 km
->chupar caju no pé – 10 metros (manga, mangaba, tamarindo)

5. banco itaú – 80 km de estrada de terra/ 110 km por asfalto;
->algum amigo pra socorrer até vc poder ir ao banco – 20 a 50 metros

6. banho de mar – 1400 km;
->banho de rio tocantins – 38 km

7. shopping center sem segurança – 500 km; (isso porque ele foi assaltado no Parkshopping em Brasília)
->Regional Modas, super segura – 500 metros

8. calibrador de pneu digital – 80 km por estrada de terra/ 150 km por asfalto;
->calibrador de ar ‘visual’ – 30 metros

9. cinema – 220 km;
->dvd do eduardo costa ao vivo passando no bar  – 200 metros

10. amigos que deixei pra trás- 1200 km;
->amigos que vou deixar prá trás – 12 cm a esquerda do peito (que querido)

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Cuidado ao entrar…

O Motel de Minacity tem uma fonte de “pedra” na frente que antigamente era adornada pela escultura de uma mulher. A decoração chamava muita atenção do público que por ali passava, e muitos paravam para tirar fotos.

Mas os clientes começaram a evitar o Motel, já que ao entrar e sair dali podiam ser surpreendidos por cameras curiosas. Se já não deve ser muito fácil ir a um motel com discrição em uma cidade pequena, imagina se ainda por cima corre-se o risco de ser registrado em foto!

A situação começou a complicar para o Motel, até que o dono tirou a esculturada mulher, e publicou anuncios na rádio e em placas na cidade:

Desculpem a má qualidade da foto, mas como viram não é permitido parar para tirar fotos...