Tô não tô

“Shhh… só desliga e me entrega”

Sem arma, só com essas palavras.

E era uma vez um celular 😦

Estava demorando para a civilização bater à minha porta desse jeito. O lado ruim da civilização…

Eu estava falando com minha irmã no telefone, a conversa tava boa e demorei a perceber que alguém me seguia. Até que tomei uma fechada, numa parte menos iluminada da rua. O rapaz, 18 anos no máximo, magricelo (se estivesse me pedindo ajuda ou informação, eu teria dado, pois não pareceu oferecer perigo, à primeira vista), impôs em poucas palavras:

– Sshhh… só desliga e me entrega! Só desliga e me entrega! Só desliga e me entrega!

– Ai, peraí – falei pra minha irmã.

E entreguei o celular pro pivete…

E voltei correndo pra casa, um pouco chorando, um pouco assustada, um pouco nervosa… Uma sensação de desproteção, de invsão, de injustiça!

Triste, né?

Anúncios
Tô não tô

Perdida, eu?

Quando eu conto, dizem que estou exagerando… mas vejam só o que me aconteceu ontem:

Eu estava indo do ponto A pro ponto C aqui na Vila Mariana. Quando topei com uma padaria (ponto B) e achei que ia ser legal trazer uns pães e frios pra casa da minha amiga, onde estou acampada.

O ponto A está fora do quadro por uma questão de visualização
O ponto A está fora do quadro por uma questão de visualização

Acontece que ao sair da padaria, de repente, não mais que de repente, EU SAÍ PRA OUTRO LADO!!! Simplesmente estava descendo a França Pinto antes de entrar na padaria e quando saí resolvi continuar descendo a RIO GRANDE. Pareceu lógico na hora. Olhei pra cima e pensei, acho que vim de lá. Claro que vim de lá e tenho que descer pra cá.

Fui descendo, descendo, descendo… e bem que reparei um prédio meio chique, uns carros meio caros e uma academia toda pomposa que eu não lembrava de ter visto no caminho de ida. Isso mesmo, eu já tinha feito esse caminho na ida! Eu tava voltando e errei o caminho!!!

Foi só depois de uns 600 metros é que percebi que estava errada, quando olhei a placa da rua e ela dizia RIO GRANDE! Como assim, carapálida? E pior, já tinham me dito que em alguma região ali perto tinha uma favela… então, com medo de me perder de vez, fiz todo o caminho de volta até a esquina da França Pinto e então desci ela inteirinha até o fim, pra não correr o risco de me perder de novo!!

Do A pro B, até o C, volta pro B e então, enfim, pro D
Do A pro B, até o C, volta pro B e então, enfim, pro D e pro E

Nessa brincadeira, segundo o googlemaps, o trajeto que era de 1,3km acabou virando 2,5km!

Projeto Tocantins · Tô não tô

Tudo isso, moço?*

Não, vocês não sabem o que dois anos e meio de Tocantins são capazes de fazer com a cabeça de uma pessoa.

Vocês não sabem.

Por exemplo, até o início do ano se eu tivesse com fome, eu ia ao supermercado Bom Preço e pedia um pão de queijo e um toddynho. Era simples, de todas as opções já testadas, essa combinação era a única que não me decepcionava.

Agora, em São Paulo, eu estou com fome, vou ao Pão de Açucar e simplesmente saio de lá com fome, porque tem tanta opção que eu não consigo escolher nenhuma. Ainda não sei o que é legal, o que é gostoso, o que vai me fazer mal (pq eu não posso ingerir lactose, mas lá no TOCA eu estava no modo TOCA e essas frescuras urbanas não me atingiam). Hoje comprei o pão do cachorro quente e esperei chegar em casa pra matar a fome, porque não consegui decidir entre nenhum dos petiscos para comer no caminho pra cá.

Era mais fácil conviver com menas opção. Beeeem mais fácil.

Quer dizer, não é que tem uma escola de espanhol perto da minha casa. TEM TRÊS. Aí eu tenho que ir nas três escolas, fazer o orçamento, teste de nivelamento, conhecer as instalações, pra ver qual das três me agrada mais.

Não era mais fácil ter só uma e aí eu fico satisfeita com o preço, o nivel e as instalações e fim?

Eu não sou uma pessoa exigente. Não me deem opções.

Acho até que esse post poderia inclusive render um belo ensaio sobre o processo de desenvolvimento cognitivo e intelectual de uma pessoa que cresce no interior pacato e restrito do TOCA versus uma criatura que cresce no meio da borbulhante e diversificada São Paulo.  Eu poderia. Mas não vou.

*Tradução livre para o paulistanês: Orra meu, tudo isso?
Tô não tô

Uma reserva de tranquilidade

Pois é, vou pra São Paulo. A Syl, amiga de prézinho-parceira de TCC-colega de primeiro emprego, agora me indicou pruma vaga super legal na agência onde ela trabalha.

Vou com um friozinho, ou melhor, um freezer se manifestando na barriga, tanto pelo desafio de fazer uma coisa nova quanto pelas transformações que a vida vai sofrer ao me mudar para a civilização, primeiro mundo brasileiro, o avesso do Brasil

Mas, como diz a minha outra amiga de infância-também irmã da Syl-e-futura roommate Elis, depois de anos morando no meio do mato, eu gerei uma reserva de tranquilidade. E essa vai ser a hora de recorrer a ela!

O grande dia é dia 5 de julho.

Projeto Tocantins · Tô não tô

Minacity a frente do seu tempo

Em setembro do ano passado, Minacity recebia a presença ilustre de quatro amigos para a comemoração de um certo aniversário. Depois de um passeio à praia, os quatro aguardavam ansiosamente o início do show da banda que iria animar o “Baile do Hawaii”.

Três elementos vestidos de skatistas sobiram ao palco. O mais tatuado assumiu os teclados. O de boné pra trás tinha uma guitarra a tira-colo. A função do terceiro era tão importante que me foge da lembrança agora.

Entusiasmados, os quatro expectadores do sul se animam: “Só pode ser rock/pop. É hoje!”

A banda então ensaia o primeiro acorde e vai:

“Você não vale nada mas eu gosto de você” (estridente)… e o tecladinho “tananananananã” (não mais que duas notas diferentes).

“Aaaaahhh não acredito!!”

Preciso dizer que os incautos sulistas viraram as costas e desistiram de baile do hawaii? Não esperaram nem acabar essa música.

E agooooora, mais de nove meses depois, a Globo vem me dizer que a “música vira hit nas rádios?”

E vem me dizer que essa é a música da Norminha?

Pra mim essa é a música oficial das roubadas em que nos enfiamos ao longo de 2008. Porque essa música já era hit nos interiores do país muito antes de Glóia Peres pensar em escrever uma novel indiana (blergh, a propósito)..

E as roubadas de 2007 foram embaladas ao som de “Beber, cair e levantar”! (que também só chegou aos ouvidos da civilização pra meados do ano passado!)

Tô não tô

Me mandem de volta!!

A pessoa volta pra civilização e acha que ainda está morando no interior. Vejam o que aconteceu comigo ontem e me digam se não é pra me mandar de volta pro TOCA:

Fui a um evento na Assembléia Legislativa e tive que rodar muito lá pra achar uma vaguinha pra deixar o carro.

Rodei, rodei, rodei… até que achei a última vaga num lugar que nem estacionamento é. É uma pista de uma via movimentada que virou estacionamento ao longo dos anos. Tinha um guardador, que me orientou na baliza e só por isso concordei em lhe dar um real. Na hora ainda caiu uma moedinha no chão e eu falei que ele podia ficar com ela. Ele me pediu mais, eu disse que não tinha trocado, era só o que eu tinha. E ele “mas eu tenho troco!” .. Pode?

Enfim, o caso é que eu fui pro evento, fiquei umas três horas lá e quando saí, já à noite, só restava o meu carro e nada do guardador.

Acreditam que quando eu cheguei percebi que não tinha acionado o alarme? E pior, a janela tava abertona???

Fiquei mega assustada, entrei no carro e arranquei.

Nisso veio um guri acenando (percebi que não era o mesmo guardador do início porque esse tinha dois braços e aquele, só um)… ele tentou me fazer parar o carro, acho que queria falar comigo. Isso me assustou mais ainda e arranquei sem falar com ele.

Aí a ficha começou a cair… o carro passou três horas aberto, num lugar meio ermo, anoitecendo, no pé de um morro…

Olhei pra trás e vi que o banco estava vazio… me desesperei! Minha irmã que usa mais o carro, vive deixando uma bagunça ali atrás! Achei que os carinhas tinham feito uma limpa! E desandei a chorar.

Na hora que peguei a minha irmã, aos prantos, fui olhar com ela se tava faltando alguma coisa… e acreditam que o guardador escondeu as bolsas embaixo dos bancos?? Eu tenho certeza disso, porque elas não estavam ali quando entrei no carro…

Agora fiquei com o maior dos remorços… acho que vou voltar lá e recompensar quem quer que tenha cuidado do meu carrinho pra mim!

E acho também que aprendi a lição…