Tô não tô

14

Quando eu tinha 14 anos, minha amiga Sabrina era apaixonada pelo Juninho Paulista (er, eu sei…). Ela escrevia “Eu amo o Juninho” em todas as agendas, carteiras, paredes da sala, bancos de ônibus…

Um dia a Seleção foi jogar em Florianópolis contra a Dinamarca e ela decidiu que essa era a chance de conhecer o ídolo e “futuro marido” pessoalmente. Juntamos todas meninas e fomos fazer plantão no aeroporto, no estádio e no hotel em que eles ficariam. Foram dois dias seguidos de peregrinação,  andando de carona de um lado para o outro e de um canto para o outro da ilha! Tudo para que a Sabrina enfim conhecesse o Junhinho!

É, com 14 anos a gente se acha grande.

No fim das contas, depois de muita insistência, um dos seguranças do hotel se compadeceu com nossa história e deixou a Sabrina pular o muro e ir se encontrar com o Juninho! Para nós, aquilo foi muito incrível. Conseguimos realizar o sonho de uma grande amiga!

Eu tinha 14 anos e o Lucas, meu sobrinho prematuro, tinha recém feito 1 aninho.

+++++ time lapse+++++

Agora quem tem 14 anos é o Lucas. Ele já tem a minha altura e muita sorte: recém iniciado na vida do rock, já assistiu ao show do AC/DC e ontem esteve em São Paulo para assistir ao show do Metallica no Estádio do Morumbi.

Ele queria chegar cedo e ficar bem perto do palco. “Não na grade, mas uns 7 metros da grade tá bom”, ele dizia. Mas o tio dos amigos dele não quis chegar assim tão cedo assim, então ele resolveu ir sozinho mesmo.

Sozinho nada: fiz questão de acompanhar na fila até a entrada do estádio. Três horas e meia de fila! Se o ingresso não estivesse tão caro, entraria lá com ele pra garantir. Mas não deu. Então fiquei com ele até a entrada e confesso que o coração apertou quando o vi entrar sozinho naquele mar de homens de preto.

3 horas e meia. Fila. Homens de preto.

Depois de ter metade da missão cumprida, voltei pra casa para descansar, pois mais tarde teria que voltar lá para buscá-lo. Eu estava exausta!

Chegando em casa… quem disse que eu encontrava a chave? Revirei a bolsa inteira e nada de encontrar a maldita chave de casa. Devo ter perdido na confusão da fila no Morumbi, só pode.

Poxa vida… depois de tudo que eu tinha feito pelo Lucas, vamos combinar que eu não merecia essa, né…?

Bueno, quem tem amigos tem tudo, então parti pra casa da @fernanda_r e lá fiquei até a hora de voltar ao Morumbi para buscar o metaleiro. Lá, fiquei acompanhando as atualizações sobre o show pelo Twitter.

Pouco antes da meia-noite eu já estava lá debaixo do relógio da praça em frente ao estádio, como combinado, esperando o Lucas.

Acontece que o relógio é o ponto de encontro mais manjado de todos. E não foi nada fácil encontrar um cabeludo de preto no meio de um monte de cabeludos de preto por ali!

Enfim, meia-hora depois encontro meu “pequeno” sobrinho realizado e feliz da vida! E exausto, coitado…

E eu fiquei feliz de ter ajudado uma criatura de 14 anos a realizar um desejo que deve ter sido um dos maiores da minha geração quando tinha 14 anos.

Quisera eu ter uma tia assim quando eu tinha 14 anos!

++++++++

updade domingo à noite: mas como ter 14 anos é sempre ter 14 anos, a história do show do Metallica não terminou ali náo. O Lucas voltou para Curitiba de onibus sozinho e conseguiu PERDER o ônibus quando parou no Graal em Registro! Mas tudo bem, meia-hora e uma mãe descabelada depois, conseguiram colocar o guri em outro ônibus e agora ele deve estar quase na porta de casa! São e salvo!

Projeto Tocantins

O Psit

“Lá vem o Psit!”

É a senha. De bate-pronto, os mais vacinados colocam a mão sobre o copo, recolhem maços de cigarro e protegem seus pratos!

O Psit talvez seja a figura mais conhecida de Palm Springs. Ele anda pelo meio da rua, sem ligar muito que a calçada é logo ali. Sempre de roupas surradas e rasgadas, mas cada dia com uma roupa diferente. Não conversa, mas dá pra perceber que ele sempre sabe quando estão falando dele. Caminha com os pés descalços e sabe muito bem aonde ir nos determinados horários do dia.

Na hora do almoço, fica perto do restaurante de Palm Springs. Mas pela manhã ele já passou na padaria do supermercado Modelo e à noite sabe que canal é vagar pelos espetinhos e os bares. Ele fica na espreita e, quando menos se espera, avança na mesa de um incauto cliente em busca de um maço de cigarros, um copo de coca cola ou um pedaço de carne.

Tem gente que dá o que tem, só para que ele simplesmente saia dali. Só que o Psit sabe ser esperto quando quer e escolhe direitinho seu alvo. Ele já gravou quem tem cigarro e já vai direto pras mesas-chave.

É capaz de fumar um maço inteiro em menos de meia-hora, se tiver alguém para fornecer. Coloca o cigarro na boca e dá várias tragadas seguidas, sem se importar com a cinza acumulada na ponta, até que o último milímetro seja fumado.

Nas horas de folga, ele vaga pela rua sem destino, mordendo a parte gorda da mão e soltando grunhidos indecifráveis.

Cidade pequena é igual em tudo quanto é lugar, inclusive as das novelas. Quem não se lembra do Jamanta, Tonho da Lua, Emanuel? O Psit é o personagem doidinho de Palm Springs.

O Psit é daqueles de quem os adultos de afastam e as crianças têm medo.

Ele já fez um tratamento em Anápolis, patrocinado pela prefeitura, alguns mandatos atrás. Dizem que depois de internações e remédios fortíssimos ele chegou ao ponto de travar uma conversação com o motorista que o trouxe de volta. Chegou até a trabalhar. Mas aí não teve continuidade e voltou à estaca zero.

Reza a lenda que um dia algumas damas da sociedade, incluindo uma certa primeira-dama de então, resolveram fazer uma faxina no Psit. Levaram ele lá pro Apertado da Hora para um banho completo. Acontece que se encantaram com o tamanho do documento do rapaz, não resistiram e… ui, prefiro nem imaginar essa cena…

Psit com o documento à mostra, para desespero da Cláudia!
Outra mania do Psit é andar com os documentos à mostra (clique na imagem se tiver coragem)