Projeto Tocantins

Dou-lhe uma, dou-lhe duas…

Sábado à noite. Impressionantemente, tínhamos duas opções de programação: Skol beats em Palm Springs ou leilão de gado em Blue Bush, Goiás. Em uma situação normal, a segunda opção nem seria cogitada. Mas como nada por aqui segue o rumo esperado, seguimos para Blue Bush. Por um bom motivo, minha xará de Palmeirópolis trabalha no leilão. Fomos prestigiá-la.

Como pra mim tudo era novidade, achei o máximo. Mas foi aquilo que se pode esperar de um leilão. Fica o leiloeiro no microfone num palanque e a Denise no chão vendo quem dá mais. Cada vez que alguém fazia um sinal pra ela (que só ela via), ela gritava “euuuuuuu” (de um jeito tão agudo que se fosse eu saía de lá rouca) e fazia um sinal pro leiloeiro. A cada lote que era apresentado, entravam os bezerros, bois ou vacas em um tipo de ringue com terra cercado com arames.

Tinha lote com 45 vacas e as coitadas tudo espremidas ali naquele espacinho. Comecei a ficar com pena… Mas o que mais me impressionou foi o lote com 100 bezerros de 12 meses: foram vendidos a 269 reais cada, todos pra uma pessoa só. Naquela noite foram leiloados uns 550 bichos, a uma média de 350 reais por cabeça. Pensa na grana!

Agora, façamos as justas apresentações. Não é só porque a Denise é minha xará que a gente percorreu os cerca de 70 km até Blue Bush. Nem porque a gente sabia que lá tinha comida de graça (hummm feijão delicioso).
A Denise (Aparecida) é uma personagem a parte nesse cenário. Além de dos leilões, ela faz trabalhos para concessionária de energia, é professora voluntária num projeto, vende bombons de morango (figo, uva, ameixa) na rua, e coco na praia (de rio) em julho (o verão aqui). E ainda vai sair no pelotão de elite da Corrida de São Silvestre. E tudo isso com um bom humor invejável, pra ela não tem tempo ruim.

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