Tô não tô

Pobre orelhão…

Hoje eu vi uma mulher tendo uma DR num telefone público.

Daí eu pensei: “que tipo de pessoa faz uma DR num orelhão, minha gente?”

Em seguida completei meu pensamento: “Mas quem afinal USA orelhão hoje em dia, não é mesmo?”

Eu lembro do tempo em que não existia celular. O pobre do orelhão deve lembrar daqueles tempos com nostalgia…

Eu lembro de quando só dava pra ligar pra casa, da rua, usando uma ficha, um cartão telefônico ou a cobrar. E ninguém te achava na rua!

Lembro que quando eu era pequena, sempre ligava a cobrar pro trabalho da minha mãe. O orelhão era vermelho e eu esticava meu braço lá em cima pra discar: 9-0482+o número do trabalho…  Eu devia ser a piada do departamento, porque quando eu ouvia: “Após o sinal diga seu nome e a cidade de onde está falando. Truru-ru” eu respondia “Denise, de Florianópolis”. Ahahahahahah! Que fofa!

Eu sou do tempo da ficha telefônica O.o

Lambram? Era uns 15 centavos cada ficha telefônica. A cada três minutos tinha que colocar mais uma ficha, ou caia a ligação. Aliás, quem foi a criatura que teve a infeliz ideia de estinguir as queridas fichas telefônicas? Era muito prático para ligações rápidas!

Uma vez na Lagoa da Conceição, em Floripa, descobriram um telefone público que não precisava de ficha. Nossa, a notícia correu rápido. E todos os dias filas e filas de gente se formavam na frente do tal orelhão. Imagina a Lagoa dos anos 80-90, cheia de migrantes de todas as partes do sul, são paulo e rio! Todo mundo querendo dar aquele alô para casa, que devia ser tão caro! De graça, aproveitavam pra mandar notícias até pra tia avó!

Depois de extinta a ficha telefônica, ficou todo mundo refém dos cartões de no mínimo 20 unidades. Ou seja, esqueceu teu cartão em casa? Ou compra mais 20 créditos ou desiste de ligar… Achei injusto.

E não era fácil ser adolescente nesses tempos. Em casa, não tínhamos telefone fixo porque a linha custava o olho da cara do meu pai e mais cada um dos nossos 5 pares de olhos míopes, em dólares. Tínhamos um celular, que custava os olhos da cara de toda a geração passada da família e mais a futura, então era praticamente só pra receber. Portanto, eu tinha meus papos adolescênticos com minhas amigas adolescentes num orelhão lá da praça. Pois bem, imaginem a fila!

Mas logo veio o celular e as comunicações foram ficando mais fáceis… e cada vez mais o celular foi diminuindo nossa relação com os orelhões. Que um dia foi tão imprescindível!

Eu acho que a última vez que comprei um cartão telefônico eu devia ter recém chegado ao Tocantins, no final de 2006. E lá ainda não tinha celular. E minhas 20 unidades devem ter durado todos os 30 meses do projeto!

Agora, parando pra pensar… deve fazer bem uns 395 dias mais ou menos que eu não faço uma única ligação num orelhão! Não lembro nem qual foi a última. E vocês? Lembram quando foi a última vez que usaram um telefone público? Pois guardem a lembrança com carinho, pode ser a derradeira!

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Tô não tô

É assim né…

Estávamos eu e meus roommates conversando ontem sobre como  é injusto esse mundo que não reservou nenhum marido rico para nenhum de nós três…

Já pensou, o dia inteiro de madame, só esperando o marido chegar em casa?
Ia dar tempo de fazer taaaanta coisa, não é mesmo minha gente?

Niqui estávamos falando isso, no celular pulula uma mensagem do Bunitinho:

“Acabei de chegar em casa. Essa vida de trabalho árduo e temprano me cansa. Fica rica logo, meu amor. Beijos”

O.o

Projeto Tocantins · Tô não tô

Tudo isso, moço?*

Não, vocês não sabem o que dois anos e meio de Tocantins são capazes de fazer com a cabeça de uma pessoa.

Vocês não sabem.

Por exemplo, até o início do ano se eu tivesse com fome, eu ia ao supermercado Bom Preço e pedia um pão de queijo e um toddynho. Era simples, de todas as opções já testadas, essa combinação era a única que não me decepcionava.

Agora, em São Paulo, eu estou com fome, vou ao Pão de Açucar e simplesmente saio de lá com fome, porque tem tanta opção que eu não consigo escolher nenhuma. Ainda não sei o que é legal, o que é gostoso, o que vai me fazer mal (pq eu não posso ingerir lactose, mas lá no TOCA eu estava no modo TOCA e essas frescuras urbanas não me atingiam). Hoje comprei o pão do cachorro quente e esperei chegar em casa pra matar a fome, porque não consegui decidir entre nenhum dos petiscos para comer no caminho pra cá.

Era mais fácil conviver com menas opção. Beeeem mais fácil.

Quer dizer, não é que tem uma escola de espanhol perto da minha casa. TEM TRÊS. Aí eu tenho que ir nas três escolas, fazer o orçamento, teste de nivelamento, conhecer as instalações, pra ver qual das três me agrada mais.

Não era mais fácil ter só uma e aí eu fico satisfeita com o preço, o nivel e as instalações e fim?

Eu não sou uma pessoa exigente. Não me deem opções.

Acho até que esse post poderia inclusive render um belo ensaio sobre o processo de desenvolvimento cognitivo e intelectual de uma pessoa que cresce no interior pacato e restrito do TOCA versus uma criatura que cresce no meio da borbulhante e diversificada São Paulo.  Eu poderia. Mas não vou.

*Tradução livre para o paulistanês: Orra meu, tudo isso?
Tô não tô

Uma reserva de tranquilidade

Pois é, vou pra São Paulo. A Syl, amiga de prézinho-parceira de TCC-colega de primeiro emprego, agora me indicou pruma vaga super legal na agência onde ela trabalha.

Vou com um friozinho, ou melhor, um freezer se manifestando na barriga, tanto pelo desafio de fazer uma coisa nova quanto pelas transformações que a vida vai sofrer ao me mudar para a civilização, primeiro mundo brasileiro, o avesso do Brasil

Mas, como diz a minha outra amiga de infância-também irmã da Syl-e-futura roommate Elis, depois de anos morando no meio do mato, eu gerei uma reserva de tranquilidade. E essa vai ser a hora de recorrer a ela!

O grande dia é dia 5 de julho.

Projeto Tocantins · Tô não tô

Minacity a frente do seu tempo

Em setembro do ano passado, Minacity recebia a presença ilustre de quatro amigos para a comemoração de um certo aniversário. Depois de um passeio à praia, os quatro aguardavam ansiosamente o início do show da banda que iria animar o “Baile do Hawaii”.

Três elementos vestidos de skatistas sobiram ao palco. O mais tatuado assumiu os teclados. O de boné pra trás tinha uma guitarra a tira-colo. A função do terceiro era tão importante que me foge da lembrança agora.

Entusiasmados, os quatro expectadores do sul se animam: “Só pode ser rock/pop. É hoje!”

A banda então ensaia o primeiro acorde e vai:

“Você não vale nada mas eu gosto de você” (estridente)… e o tecladinho “tananananananã” (não mais que duas notas diferentes).

“Aaaaahhh não acredito!!”

Preciso dizer que os incautos sulistas viraram as costas e desistiram de baile do hawaii? Não esperaram nem acabar essa música.

E agooooora, mais de nove meses depois, a Globo vem me dizer que a “música vira hit nas rádios?”

E vem me dizer que essa é a música da Norminha?

Pra mim essa é a música oficial das roubadas em que nos enfiamos ao longo de 2008. Porque essa música já era hit nos interiores do país muito antes de Glóia Peres pensar em escrever uma novel indiana (blergh, a propósito)..

E as roubadas de 2007 foram embaladas ao som de “Beber, cair e levantar”! (que também só chegou aos ouvidos da civilização pra meados do ano passado!)

Projeto Tocantins

Assalto e morte – coisa de cidade grande

Troca de tiros, perseguição policial e morte. Palm Springs está virando mocinha!

O caixa eletrônico de uma usina hidrelétrica foi roubado ontem por quatro homens armados que renderam seis vigias noturnos. Na fuga, levaram dois dos reféns e um carro da empresa. Ao deparar com a polícia, os assaltantes fugiram e um refém levou um tiro no pescoço.  Deixaram ali os reféns, o carro e o caixa eletrônico.

Os policiais fizeram uma varredura na zona rural e fecharam todas as estradas de terra. No final da tarde, um assaltante chegou ao hospital “todo peneirado”, segundo informações de enfermeiros. A polícia diz que ele morreu com três tiros.

Segundo testemunhas, um policial teria dito “descarreguei toda minha metralhadora e não acertei nenhum tiro!” – ainda bem que essa metralhadora não foi descarregada no refém, em quem os policiais atiraram pensando se tratar de um bandido.

Testemunhas ainda contam que a família do refém baleado foi agredida por policiais no hospital, e parte está presa até agora. Pastelão!

A propósito, já é o segundo assalto desse tipo em três meses. Estariaa região de Palm Springs virando rota deste tipo de quadrilha?