Tô, não tô


Quando eu era mais nova, meu sonho era conhecer o exterior. Ficava sonhando com os pacotes de intercâmbio que apareciam no jornal, chegava a literalmente sonhar que tinha ido à Disney/Paris/Japão – só pra acordar na frustração de estar em casa. Até que um dia apareceu uma oportunidade muito legal de fazer um estágio fora. Lá fui eu pra Washington, DC, sozinha, aos 21. Na época namorava um guri que fazia faculdade comigo, e estava fazendo um daqueles work experiences na Louisiana. E lá fui eu, morar e trabalhar em Washington, com a cabeça na Louisiana.

De lá partimos juntos para Londres, onde fiquei por mais um ano e meio – morando e trabalhando lá, e a cabeça o tempo inteiro pensando na família no Brasil. Tudo o que eu fazia era pensar nos irmãos, sobrinhos, pais, primos que estavam aqui, as crianças crescendo na proporção da minha saudade. Apesar de adorar estar morando no exterior, não foram poucas as vezes que eu vinha para o Brasil, em sonho, visitar a família – só para acordar com a saudade ainda maior.

De volta ao Brasil, os próximos dois anos passei morrendo de vontade de voltar pra lá. É, eu sei, uma eterna insatisfeita.  Já formada, fiz mil e um planos de embarcar numa pós-graduação mundo a fora. Vivia pesquisando, a ponto de entrar em contato com professores de Portugal e Inglaterra. Fiz até o exame do IELTS.

Até que apareceu a oportunidade de ir trabalhar no interior do Tocantins. Uma experiência única que levou longos e ligeiros dois anos para passar. As dificuldades e privações foram muitas, o que me fazia estar sempre com a cabeça na civilização… a internet era minha porta para o mundo, e eu contava no dedo os 60 dias que separavam uma ida a Floripa de outra.

Hoje, de volta a civilização, a vida insiste em pregar dessas peças: corpo, alma, trabalho e família estão aqui comigo em Florianópolis. E o coração fugiu pra São Bento do Sul e já avisou que vem me ver nos fins de semana.

“Tô, não tô” é isso. Eu lá, a cabeça aqui.  Eu aqui, o coração acolá. Uma insatisfação crônica. Uma eterna busca por algo mais.

As impressões, as histórias, os contrastes, os aprendizados, as lendas, as pessoas estão por todas as partes. Uma hora temos que saber olhar para elas. Na outra, é melhor esperar que elas trombem em nós. Vamos ver que rumos esse blog vai tomar…

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